cinemanostalgia

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quarta-feira, 3 de junho de 2015

JOHNNY WEISSMÜLLER


1922: Nadador Johnny Weissmüller,
o "Tarzan", bate recorde mundial

Em 9 de julho de 1922, o nadador norte-americano Johnny Weissmüller bate o recorde mundial dos 100 metros nado livre. Anos mais tarde ele ficaria conhecido pelo papel de Tarzan, no cinema.
                                           
   Johnny Weissmüller, Tarzan
Johnny Weissmüller tornou-se célebre como o homem da floresta com o grito lendário. Nascido na hoje Romênia (em território que na época pertencia à Alemanha) em 1904, seus pais emigraram para os Estados Unidos quando ainda era bebê.
No dia 9 de julho de 1922, Weismüller mergulhou na piscina de Alameda, na Califórnia, para cumprir os 100 metros no sensacional tempo de 58,6s. Também nos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris, ele repetiu a façanha e levou três medalhas de ouro.
                                               
  Imbatível como nadador
Quatro anos depois, em Amsterdã, voltou a ganhar duas provas. Durante dez anos, até 1929, fim de sua carreira como amador, o nadador norte-americano foi imbatível no estilo nado livre em provas entre 50 jardas e meia milha. Ao todo, seu nome aparece 67 vezes na lista de recordes.
A partir de 1932, passou a ser conhecido como Tarzan. Com 1,95 metro de altura e 100 quilos de peso, Weissmüller não passou despercebido a um roteirista da MGM na piscina de um hotel em Hollywood.

Carreira no cinema
Ao lado de Maureen O'Sullivan, como Jane, iniciou a carreira cinematográfica. Para melhor comercializar o novo astro, a MGM pagou 10 mil dólares à esposa de Weissmüller para que se divorciassem. Um galã solteiro faria mais sucesso.
O famoso grito que o tornou célebre foi inspirado no jodel, tradicional canto tirolês. Sua figura é cercada por muitas histórias. Uma delas é que, em 1959, durante a Revolução Cubana, o ator e alguns amigos foram cercados por um grupo armado enquanto jogavam golfe. Graças ao seu famoso grito, foi reconhecido pelos rebeldes e escoltado para um local seguro.
A carreira de Weissmüller encerrou-se em 1955, depois da filmagem de 12 filmes como Tarzan e uma série de 16 capítulos como Jim das Selvas. Ele faleceu em 20 de janeiro de 1984, aos 79 anos, depois de vários casamentos fracassados, negócios mal-sucedidos e uma série de derrames cerebrais. Sua sepultura, em Acapulco, no México, traz somente a frase "Johnny Weissmüller, Tarzan".

terça-feira, 2 de junho de 2015



O PRIMEIRO OSCAR


1929: Primeiro Oscar
No dia 16 de maio de 1929, a Academia de Arte Cinematográfica e Ciências, criada dois anos antes, concede num hotel em Hollywood, pela primeira vez, prêmios aos melhores filmes.

O Prêmio da Academia foi criado a 11 de maio de 1927, num banquete da recém-criada Academy of Motion Pictures Arts and Sciences. A ideia de agraciar os destaques do cinema com um prêmio foi de Louis Mayer, então presidente dos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer (MGM).
A estatueta, mais tarde batizada de Oscar, foi criada por Cedric Gibbons, diretor de arte da MGM. Ela representa um cavaleiro com uma espada, de pé sobre um rolo de filme. As cinco divisões do rolo simbolizavam as cinco categorias em que o prêmio era distribuído: atores, diretores, produtores, técnicos e roteiristas.
Em 1928, a estatueta foi fundida em bronze pelo escultor George Stanley e revestida com uma fina camada de ouro. Desde 1930, no entanto, sua produção ficou um pouco mais elaborada, sendo inicialmente fundida em metal bretanha, depois cobre, seguido de níquel e prata. Cada etapa é seguida de um polimento especial, até finalmente o revestimento com a fina camada de ouro.

Prêmios incomuns
Ao longo da história, entretanto, também foram distribuídos alguns prêmios incomuns. Como os de Edgar Bergen, em 1937, que recebeu uma estatueta de madeira com queixo móvel, e Walt Disney, que em 1938 levou um Oscar com sete miniaturas, para Branca de neve e os Sete Anões. Durante a Segunda Guerra Mundial, o cobiçado prêmio foi entregue em gesso aos agraciados, que puderam trocá-lo pelo original em metal depois do final do conflito.
Oficialmente, o Oscar chama-se The Academy Award of Merit. Seu apelido surgiu em meados da década de 30. A versão mais divulgada é que a então secretária da Academia, Margaret Herrick, teria dito ao ver a estatueta pela primeira vez: "Mas parece com meu tio Oscar".
A primeira cerimônia de entrega do prêmio aconteceu durante um banquete no Hollywood Roosevelt Hotel, dia 16 de maio de 1929, quando o filme sonoro ainda engatinhava. 250 membros da academia pagaram 10 dólares para participar da festa. O júri de cinco pessoas decidiu sobre os 15 Oscars: o melhor ator foi o alemão Emil Jannings, pela sua participação em The Way of All Flesh.
Nos primórdios do Oscar, a lista dos vencedores era dada à imprensa de antemão, que só podia publicar a lista às 23 horas. Quando, em 1940, um jornal de Los Angeles furou a divulgação, foi introduzido o sistema dos envelopes lacrados.
No começo, eram concedidos dois prêmios aos melhores atores e atrizes, e um Oscar para o melhor filme, melhor diretor, melhor roteirista, câmera e direção de arte. Além disso, já na primeira edição, em 1929, foram concedidos prêmios especiais à Warner Brothers pela produção do primeiro filme sonoro e para Charlie Chaplin pelo Circo.



OS MAIORES VENCEDORES DO OSCAR

DE TODOS OD TEMPOS



sexta-feira, 29 de maio de 2015


DVD: PRIMEIRA TEMPORADA DA SÉRIE CLÁSSICA DO BATMAN SERÁ LANÇADA SEPARADAMENTE
Publicado por Editor em 17/04/2015 as 2:58 pm



Em 2014, em comemoração ao 75º aniversário do personagem Batman, a série clássica de 1966 foi lançada em DVD e Blu-ray nos EUA, após um grande imbróglio jurídico ter sido resolvido. A obra completa (três temporadas) também foi lançada no Brasil com dublagem original pela Warner Home Video, porém, apenas em DVD. Além desta privação, os brasileiros ainda se depararam com dois episódios sem dublagem, erros de tradução, gramática e digitação. A Warner não se pronunciou sobre os problemas da coleção, que pôde ser adquirida exclusivamente nas lojas da rede B2W, composta pelas lojas Americanas, Shoptime e Submarino. Além disso, o preço foi “salgado”:  entre 300,00 e 399,00. Agora, com o fim da exclusividade das vendas pelo grupo B2W, está em pré-venda, separadamente, aberto para todas as lojas, a 1ª Temporada da série, em DVD, em cinco discos. O lançamento está previsto para 23 de abril, com preço sugerido de: R$ 129,90. Em breve, as outras duas temporadas também serão vendidas em todas lojas. Os episódios estão em aspecto de tela fullscreen 1.33:1, com trilhas de áudio em inglês e português (ambas Dolby Digital 1.0) e legendas em inglês, português e espanhol. Não foram informados conteúdos extras. Foi realizado um perfeito processo de restauração de imagem e vídeo, proporcionando altíssima qualidade de imagens. Como no Brasil foi lançada apenas a versão em DVD, as imagens também são boas, em 480p, mas não têm a qualidade em alta-definição de um Blu-ray.


A Série


Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin) são os astros desta série “camp” (tão irreal que diverte). O milionário Bruce Wayne ocupa seu tempo transformando-se num super-herói mascarado, cheio de segredos. Acompanhado por seu parceiro Dick Grayson (Robin), construiu a Bat-Caverna dentro de sua própria mansão. O local secreto abriga computadores e o Batmóvel, um super-carro que possui vários truques e atinge altas velocidades. A dupla-dinâmica enfrenta vários criminosos que atacam a cidade de Gothan City, entre eles, o Coringa, o Charada, a Mulher Gato e o Pinguim.
Criado por Bob Kane, o personagem Batman se distingue completamente dos outros super-heróis de histórias em quadrinhos. Ele não pode voar, não veio de outro planeta e também não possui poderes sobrenaturais. Sua força está no fato de ele ser um homem comum que esconde sua verdadeira identidade para aterrorizar os vilões. Seus atributos estão baseados na força, agilidade, faro de detetive e, é claro, uma polpuda conta bancária.
Assim que estreou na rede ABC americana, em janeiro de 1966, Batman se tornou um verdadeiro fenômeno de audiência. Raramente uma série de tevê chegou topo em tão pouco tempo. Em 1994, todos os 120 episódios da série foram remasterizados, um trabalho que permitiu recuperar a cor e o brilho das cópias originais. Mas, esta restauração não chega perto do que pôde ser feito atualmente, em HD – Alta Definição.
Perpetuada ao longo dos anos, as aventuras do homem-morcego e seu fiel escudeiro Robin continuam mais populares do que nunca, fazendo com que os adultos embarquem numa imensa nostalgia e cativando novas gerações de telespectadores que, a cada dia, descobrem o real significado do termo “batmania”.
A série foi produzida entre 1966/68 e contou com 120 episódios, divididos em três temporadas. Além dos favoritos West e Ward, Batman contou com uma grande lista de notáveis convidados especiais e aparições ao longo das três temporadas, incluindo Julie Newmar, Cesar Romero, Frank Gorshin, Liberace, Vincent Price, Burgess Meredith, Bruce Lee, Art Carney, Milton Berle, Sammy Davis Jr. e muito mais.

Há alguns anos, o ator Adam West comentou à imprensa que, devido a muitas reclamações de pessoas que desejavam ver Batman em DVD, se propôs a lançar em 2009 o documentário “Adam West Naked”. Este DVD traz relatos bem humorados e pessoais de suas experiências durante as gravações de Batman. O título (Adam West Nu) é apenas um trocadilho e uma provocação.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

FÃ CHINÊS DE ‘JORNADA NAS ESTRELAS’ CONSTRÓI ESCRITÓRIO 
COM FORMATO DA ENTERPRISE



O empresário chinês Liu Dejian, fundador da empresa de videogames NetDragon e fã de Jornada nas Estrelas (Star Trek), levou a paixão pela franquia de ficção científica ao projeto dos novos escritórios de sua companhia, que agora têm o formato da famosa nave Enterprise. Os escritórios galáticos ficam na cidade de Fuzhou, na província sudeste chinesa de Fujian, e foram construídos com autorização da rede de televisão “CBS”, dona dos direitos de “Star Trek”. A réplica da Enterprise, cenário de muitas temporadas da série e de vários filmes, custou cerca de 1 bilhão de iuanes (R$ 490 milhões) e tem extensão equivalente a três campos de futebol. Liu, de 43 anos, foi um dos pioneiros no setor de videogames na China e atualmente ocupa a 320ª posição na lista de empresários mais ricos do país, elaborada pela revista “Forbes”. A espaçonave de concreto começou a ser construída em outubro de 2010 na cidade de Changle, província de Fujian, na China e terminou em outubro do ano passado. O escritório, inclusive, já aparece no Google Maps. Com sua característica forma de disco com turbinas traseiras, a nave já aparecia nas primeiras temporadas da série Jornada nas Estrelas, em meados dos anos 1960.
Devido à popularidade da Enterprise, a agência espacial americana (Nasa) decidiu batizar com o mesmo nome sua primeira nave, que viajou ao espaço em 1977.







quinta-feira, 21 de maio de 2015

A.I.C., UMA INDÚSTRIA DE ARTE

Quando nosso primeiro aparelho de TV chegou em casa, em 1965, pensei logo nos desenhos que poderia assistir. O aparelho era um ABC – A Voz de Ouro, instalado dentro de um móvel de madeira muito bem acabado, com uma tela enorme de não sei quantas polegadas, cheio de válvulas e fios. Tínhamos que esperar um pouco as válvulas esquentarem para a imagem aparecer. A tecnologia avançava naquela época, mas ainda era precária, e o nosso velho ABC muitas vezes nos deixava na mão, principalmente entre 18 e 21 horas, quando havia maior consumo de energia elétrica no país. Várias listas horizontais e verticais surgiam na tela, devido a diminuição de tensão da energia elétrica.



Sede da AIC – R. Tibério – Lapa - São Paulo

Mesmo pequeno, com quatro anos, percebi que os filmes e desenhos tinham nomes numa língua que eu não sabia ler, mas falados numa que eu entendia. Depois, começaram a dizer “Versão Brasileira…” no início de cada filme. Pensei: “Puxa! Será que eles inventam uma história na nossa língua que dá certo com a cena?”. Só mais tarde fui entender que aquilo se chamava dublagem, um processo em que alguém falava por cima da língua original para nós compreendermos na nossa.
Fachada dos estúdios AIC, em São Paulo, durante os anos 60/70
Ainda pequeno, comecei a distinguir vozes, reconhecer a beleza delas e perceber que cada vez que diziam “Versão Brasileira: A.I.C. – São Paulo”, era sinal de que haveriam vozes bonitas. Não que os outros estúdios não tivessem boas vozes, mas A.I.C. era minha preferida. Também não sabia o que significava essa tal de “A.I.C. – São Paulo”, mas aprendi que com ela apareciam minhas vozes preferidas, como a do Pepe Legal e Babalu, Fred Flintstone, Bibo Pai e Bóbi Filho, Zé Colméia, Space Ghost, Dom Pixote, Lippy & Hardy e, mais tarde, do meu querido vilão Dr. Smith da série Perdidos no Espaço. Fiquei muito contente quando percebi que o Mendigo da “Praça da Alegria” era o mesmo do “Oh, dor!”.
Foi aí que comecei a pensar: quem seriam os outros então? Para minha felicidade, no programa “Show dos Artistas” da TV Tupi, convidaram o humorista Roberto Barreiros para cantar e contar piadas. E ele, além de tudo, fez as vozes dos “meus amigos” Babalu, Jambo, Ruivão e o narrador das estórias falarem com a sua boca. Era mais um que eu conhecia! Infelizmente, cresci e poucos dos meus heróis realmente soube quem eram.
Ocasionalmente, num programa ou outro de tevê, vi ali o Xandó Batista, o Luiz Pini, o Marcelo Gastaldi, o Carlos Campanile, o Orlando Vigiani, o Eleu Salvador, os irmãos Cazarré, o João Ângelo, o Dênis Carvalho, o Flávio Galvão, o Lima Duarte, a Laura Cardoso, mas tantos outros não sei dos seus rostos ou da vida que levaram. Sei de histórias tristes sobre anonimato, abandono, esquecimento, atropelamento e até mesmo pobreza.
Quando deixei de ouvir “Versão Brasileira A.I.C. – São Paulo” no começo dos filmes, meu encanto pela dublagem acabou. Só depois de homem já barbado, soube que a empresa havia falido.
Infelizmente, de alguns dos meus heróis, só terei mesmo a lembrança da voz. E que vozes maravilhosas!! Talvez esquecidos por aqueles que fazem dinheiro, esses heróis, como muitos outros heróis brasileiros, vão sucumbindo no esquecimento. Mas da nossa memória, jamais serão apagados. Pelo contrário, serão remasterizados, digitalizados, remixados e restaurados sempre em nossa homenagem a essa galeria de monstros da arte da dublagem.
É para mim um grande privilégio hoje poder dizer que sou amigo do Carlos Campanile, do Wilson Ribeiro, do Orlando Vigiane e do meu amigo Marco Antônio Santos, que me proporcionou esse contato com eles. Quem sabe um dia, no andar de cima, como nosso querido dublador Francisco José sempre diz, possamos voltar a assistir a filmes e ouvir a doce narração celestial repetindo: “Versão Brasileira: A.I.C. – São Paulo”.

O autor desta matéria é Rawlinson Furtado. Escreva para nós e faça seus comentários.


ACERVO ABANDONADO DO ESTÚDIO
 HERBERT RICHERS É DOADO
                                           

     
       Sede do antigo estudio Herbert Richers        

  
           Herbert Richers


Acervo abandonado do estúdio


A sede do estúdio Herbert Richers, no Rio de Janeiro, abandonada desde 2009, quando seu fundador morreu, foi arrematada em um leilão por 1,7 milhão de reais pela Sukyo Mahikari, uma instituição religiosa japonesa, cujas raízes são comuns à Igreja Messiânica.

O imóvel, que ocupa o número 1.331 da Rua Conde de Bonfim, no bairro da Usina, zona norte do Rio, hoje em nada lembra os dias de atividade da Herbert Richers, estúdio que foi um dos principais da chanchada — gênero que dominou a cinematografia nacional nas décadas de 1940-50 — e que chegou a dominar 80% do mercado de dublagem no Brasil.
Atualmente, as plantas já cresceram a ponto de cobrirem parte do terreno e toda a fachada. Insetos e morcegos ocupam corredores. Um cheiro de material incendiado toma conta do ar. As bancadas que, durante mais de 40 anos, foram usadas por atores que emprestaram as vozes a personagens que capturaram a imaginação dos fãs — hoje, assim como o restante do edifício,estão destruídas por infiltrações, mofo e por parte do teto que veio abaixo, durante um incêndio que quase destruiu as instalações em 2012.
Há poucos dias, representantes da instituição religiosa foram ao local para que futuramente ali possa abrigar a igreja. Foi então que se depararam com um imenso acervo que ainda permanecia no edifício, com milhares de negativos, películas, fitas e registros de ex-empregados.

Felizmente, uma das representantes da igreja entrou em contato com a Universidade Federal Fluminense (UFF) para que o material ganhasse um destino apropriado. Alunos e professores do curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) estiveram no local para levar o que restou do acervo da empresa. Tudo foi transportado de caminhão para a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM), onde passará por um extenso processo de análise e catalogação, trabalho que não deverá levar menos de um ano. Já o mobiliário foi levado para a universidade.
A atividade, a qual Herbert Richers passou a se dedicar, no fim da década de 1950, foi sugestão do amigo Walt Disney, o midas da animação americana.
“Boa parte das pessoas associa a Herbert Richers apenas à dublagem. Mas, nos anos iniciais de funcionamento, a firma foi um dos principais estúdios de cinema do Brasil. Teve um papel fundamental na consolidação da chanchada e dos cinejornais. Acredito que hoje encerramos um capítulo da história do cinema brasileiro”, avaliou o conservador-chefe da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner, em entrevista ao jornal O Dia.
Nome do empresário virou marca associada à dublagem
A expressão ‘Versão brasileira, Herbert Richers’ se tornou tão popular que associou de forma permanente o estúdio à dublagem. Por isso, é difícil imaginar que alguém sinta mais o fim da casa que os dubladores.
“É lamentável. Passei 14 anos da minha vida ali. Era um lugar que te dava segurança profissional. Uma pena acabar dessa maneira”, lamentou Garcia Júnior, cuja voz se tornou popular ao dublar o desenho He-Man e o ator Arnold Schwarzenegger.
                                   

“Moro na Barra e passo em frente ao prédio quando vou ao Centro. Sempre fico triste ao ver um lugar onde vivi tantas experiências importantes abandonado daquela maneira”, diz Nizo Neto, dono da voz do Presto de ‘A Caverna do Dragão’.
“É muito ruim ver que os herdeiros não conseguiram levar o legado do Herbert à frente”, finaliza Isaac Bardavid, conhecido pelas vozes do Esqueleto e do Wolverine.
Em 2003, flexibilização de lei trabalhista causou início da decadência
O fim da Herbert Richers começou em 2003, quando, por meio de um acordo trabalhista, os dubladores passaram a poder gravar em outros estúdios, sem vínculo empregatício. A partir dali, várias outras empresas de dublagem — algumas abertas por ex-funcionários da Herbert Richers — começaram a surgir no mercado, oferecendo serviços a preços bem mais baixos. O lucro do estúdio começou a cair em razão inversa aos gastos para manter a folha de pagamento dos cerca de 300 funcionários, todos com carteira assinada.
A empresa passou a funcionar de forma deficitária — os depósitos de salários e do FGTS dos empregados começaram a atrasar, o que gerou várias ações trabalhistas. Em 2009, Herbert Richers fechou e o prédio na Usina deixou de operar. Três anos depois, o imóvel foi à leilão por R$ 1,7 milhão, sendo arrematado, à época, por um grupo de empresários. A verba acabou usada no pagamento de débitos com ex-funcionários e também na quitação de impostos atrasados