A HISTÓRIA DOS SERIADOS NO CINEMA E DAS SÉRIES NA TV BRASILEIRA
OS SERIADOS
Seriados, cinesseriados, ou seriados cinematográficos (em
inglês: serial film ou movie serials) são filmes sequenciais, com um número
limitado de episódios curtos, perfazendo no total uma história completa, que
eram apresentados nos cinemas da primeira metade do século 20. Os seriados são
atualmente considerados uma forma de filme B, não apenas por se basearem em
fórmulas simplificadas, mas também por terem sido feitos com baixos orçamentos
e visarem principalmente o lucro, características essas que remetem ao filme
B.1 Usualmente tinham entre dez e quinze episódios, com algumas exceções, e
cada episódio terminava com uma proposta extrema, em que o herói (ou a heroína)
enfrentava uma situação de perigo, aparentemente sem solução, de forma a prender
a atenção do público, levá-lo à curiosidade de ver o episódio seguinte, e
conferir a forma com que o perigo seria superado, numa característica que ficou
conhecida no cinema como cliffhanger. Os episódios originalmente eram semanais,
e sempre terminavam com um convite ao público para assistir o subsequente. A
história apresentada pelo seriado, explica William Henckemaier, geralmente
envolvia um herói ou heroína lutando contra o mal, contra algum vilão, que
continuamente os expunha a armadilhas ou situações extremas de perigo, e das
quais o herói escapava bravamente. O instante final do episódio subentendia,
muitas vezes, a morte ou a derrota do herói, mas no episódio subsequente o
público conferia sua sobrevivência através da persistência e da coragem. A situação
se repetia ao longo de todo o seriado, numa sequência de armadilhas e perigos
contínuos, até que, finalmente, no último episódio, o herói vencia o vilão. Os
personagens eram bastante caricatos, arquetípicos, representavam heróis e
vilões, e costumeiramente havia o “melhor amigo”, coadjuvante que funcionava
como suporte para o personagem principal.
Poster de The
Perils of Pauline (1914). Ao contrário do que se acredita popularmente, nem Pauline, nem sua
sucessora, The Exploits of Elaine, usaram o chamado cliffhanger. Apesar de cada
vez Pauline ser colocada em uma situação que poderia resultar em sua morte, o
fim do episódio mostrava como ela escapara do perigo.
HISTÓRICO
Entre 1908 e 1920, o cinema se desenvolveu através dos
chamados filmes em série ou seriados, que se tornaram a grande atração das
casas de projeção . Essa inovação não era, porém, uma criação do cinema, pois
na época, em especial na França, eram populares os fascículos quinzenais com
histórias policiais e de aventuras, os quais se espalharam pela Europa. Foi na
França, portanto, que o seriado surgiu, com Nick Carter, le roi des détectives,
em 1908, baseado nos fascículos, sob direção de Victorin Jasset, diretor cheio
de imaginação que muitas vezes improvisava o roteiro durante as filmagens5 .
Mediante o sucesso da série, várias imitações foram feitas na Europa, tais como
Raffles6 e Sherlock Holmes na Dinamarca, e Nick Carter na Alemanha.
Em 1910, foi realizado o seriado Arsène Lupin Contra Sherlock
Holmes, drama alemão em 5 capítulos, dirigido por Viggo Larsen e baseado em
Arsene Lupin Contre Sherlock Holmes,7 de Maurice Leblanc.
Em 1911, surgiu no cinema o detetive Nick Winter,8
interpretado por Léon Durac; também em 1911, o diretor Victorin Jasset realizou
Zigomar,9 um seriado baseado nas aventuras de um bandido, publicadas no jornal
Le Matin, e Zigomar Contra Nick Carter.10 Em 1913, dirigiu Protea,11 com a
personagem principal apresentando uma mulher fatal.
O mais famoso seriado da época, porém, foi Fantomas, de Louis
Feuillade, adaptado do folhetim de Pierre Souvestre e Marcel Allain. O
personagem, interpretado por René Navarre, podia realizar várias performances:
podia se passar por rei, médico, vagabundo, entre outros, e era perseguido pelo
detetive Juve. Entre 1913 e 1914, foram realizados 5 filmes da série Fantômas.
Poster do seriado francês Fantômas,
produzido por Louis Feuillade em 1913.
Pearl White, atriz de seriados que se
tornou ídolo da juventude da época.
Os filmes em série chegaram, por volta de 1912, aos Estados
Unidos da América, com What Happened to Mary?, co-produção do Edison Studios
Company e da revista The Ladies World, primeiro seriado estadunidense. Os
seriados comumente eram acompanhados, enquanto veiculavam nos cinemas, pela
mesma história em capítulos nos jornais. Por volta dos anos 1910, tinha-se o
hábito, nos cinemas populares dos Estados Unidos, de passar os filmes
importantes por partes de um rolo, o que pode ter incentivado o aparecimento do
seriado. O seriado estadunidense, porém, diferente dos filmes em episódios
europeus, tais como Fantômas, de Louis Feuillade, e Nick Carter, de Jasset,
tinha articulação com os folhetins impressos5 . Na época, o jornal Chicago
Tribune, pertencente aos McCormick, produtores de máquinas agrícolas,
enfrentava a concorrência do Chicago's American, pertencente a William Randolph
Hearst. Os McCormick, então, começaram a publicar folhetins cuja adaptação
cinematográfica era conferida semanalmente, nos cinemas, assegurando para si os
clientes dos Nickelodeons. Em 29 de dezembro de 1913, por exemplo, cem cinemas
de Chicago iniciavam a exibição do seriado The Adventures of Kathlyn, cujo
folhetim fora publicado no Chicago Tribune, e um mês depois Hearst revidou com
um seriado do Edison Studios, The Active Life of Dolly of the Dailies. Todo
esse acontecimento foi acompanhado amplamente pela imprensa. Os seriados
proliferaram, apresentando suas obras primas, tais como The Million Dollar
Mystery, produção da Thanhouser Film Corporation, que rendeu dez vezes o seu
custo, e The Perils of Pauline, produção Pathé/ Hearst, estrelando Pearl White,
que logo se tornou ídolo dos jovens.
Na Itália, foram famosos A Quadrilha dos Ratos Cinzentos e O
Triângulo Amarelo, em 1917 e 1918. Na Alemanha, em 1915, Otto Rippert realizou
Homunculus, e Fritz Lang realizou Die Spinnen (As Aranhas), em 1919. Na
Inglaterra, Charles Raymond realizou The Great London Mystery ("Os
Mistérios de Londres"), em 1920. Na Espanha, José Maria Codina realizou
Mefisto,13 em 1917.
Os seriados se tornaram muito populares entre as crianças e
os jovens da primeira metade do século 20, e geralmente as sessões de cinema,
inclusive no Brasil, até os anos 60, eram precedidas por um episódio de
seriado, como eram conhecidos então. Posteriormente, foram adquiridos pelos
canais de TV, sendo apresentados então em episódios semanais ou diários. Grande
parte era de western, mas havia os mais diversos gêneros: dramas, ficção
científica, espionagem, aventuras na selva, além de adaptações de livros.
Alguns chegaram a ser bastante dispendiosos, como foi o caso de Flash Gordon,
que pode ser considerado uma das maiores produções de seu tempo.
A época do cinema mudo foi o auge dos seriados e grandes
artistas foram revelados, tais como Pearl White, que estrelou o seriado mudo
The Perils of Pauline, em 1914, além de Ruth Roland, Marin Sais, Ann Little e
Helen Holmes. A época de ouro do seriado, porém, foi entre 1936 e 1945
CARACTERÍSTICAS
Helen Gibson
em ação em The Hazards of Helen.
Segundo William C. Cline, de um seriado deveriam constar os
seguintes ingredientes: um herói, que defendesse a verdade e a justiça, e com o
qual o público se identificasse; um ajudante do herói; uma heroína, “bonita e
vulnerável”; um vilão e seus capangas; um prêmio pelo qual todos lutassem, e os
perigos, “destrutivamente mortais e inescapáveis”. Ainda segundo Cline, um bom
seriado apresentaria um mistério envolvendo o herói ou o vilão, cuja identidade
secreta seria revelada apenas no último episódio.
Outra característica seria uma relação estreita com as
histórias em quadrinhos, com pouco diálogo e muita ação. As cenas de briga eram
os “pontos altos dos filmes”, eram filmadas de um plano geral, o sangue era
quase inexistente, e o herói saía incólume da briga. Os chapéus eram amarrados
nas cabeças por elásticos, para que os dublês não fossem reconhecidos durante a
cena, daí o fato de os chapéus nunca caírem.
Surpreendentemente, os primeiros seriados estadunidenses
tinham como principal protagonista a mulher, como foi o caso de What Happened
to Mary, de 1912, The Adventures of Kathlyn, de 1913, The Perils of Pauline,
The Exploits of Elaine e The Hazards of Helen, de 1914, que ocasionaram
inúmeras sequências e imitações. Neal of the Navy, de 1915, tem sido
considerado o primeiro seriado estadunidense a usar um nome
masculino no título, que até então era dominado por nomes femininos. Talvez
isso se deva ao fato de, concomitantemente, os seriados serem publicados,
também serialmente, em jornais da época, em sessões predominantemente dedicadas ao
público feminino.
O primeiro seriado estadunidense, What Happened to Mary, em
1912, foi publicado, também em série, na revista The Ladies' World, de McClure.
A realização paralela interativa entre a publicação na revista e a exibição nos
cinemas foi combinada entre o editor da revista The Ladies' World, Charles
Dwyer, e Horace G. Plimpton, gerente do Edison Studios.18 A capa da revista The
Ladies' World (1912) avisava: "Cem dólares para você, se puder adivinhar o
que aconteceu com Mary". O primeiro capítulo da história foi publicado com
a competição. A resposta correta mais próxima dos eventos dos próximos 20
minutos da história, em 300 palavras ou menos, ganharia 100 dólares. O ganhador
foi Lucy Proctor, de Armstrong, Califórnia, dizendo que Mary seria resgatada
por um jovem em seu carro. Essa solução foi publicada na edição de setembro de
1912.18 Essa característica de interatividade entre cinema, jornal e
participação do público foi largamente imitada, repetida muitas vezes com
outros seriados, em busca do sucesso.
Heroínas
Desde o primeiro seriado estadunidense, What Happened to
Mary, realizado pelo Edison Studios em 1912, apresentando Mary Fuller no papel
de Mary, heroína envolta em várias aventuras, o status feminino de donzela em
apuros se tornou um dos clichês da forma serial, contribuindo para aumentar a
tensão e a curiosidade diante dos cliffhangers apresentados como recurso
essencial na tentativa de prender a atenção do público para o próximo episódio.
As heroínas se expunham a diversos perigos e armadilhas, escapando
milagrosamente e das formas mais inusitadas, conquistando o público com sua
coragem e perseverança no caminho considerado politicamente correto.
Destacaram-se, em especial no cinema mudo, algumas estrelas
que foram consideradas “rainhas dos seriados”, cujo nome no cartaz do filme era
capaz de levar multidões ao cinema.
SÉRIE DE TELEVISÃO
Formato
Uma série de televisão pode ser ficcional ou documental,
possui um número preestabelecido de episódios por temporada. O modelo padrão norte-americano
é de cerca de 13 capítulos por temporada, com duração média de 45
minutos[carece de fontes] cada um que iniciam num mesmo período todo ano:
o outono (primavera, no hemisfério Sul) para grandes estreias, e o midseason,
para estreias menores. Se a temporada agrada o espectador e traz retorno de
audiência para a emissora, é contratada uma nova temporada e são feitas
pequenas alterações na trama a fim de melhorar a aceitação e manter o
espectador interessado. Essas mudanças, contudo, nunca são profundas. Se uma
temporada não agrada o espectador ou os donos da emissora, assim como a novela,
a série é cancelada, muitas vezes sob o protesto dos fãs.
Diferente do formato adotado pelas novelas brasileiras ou
portuguesas em que terminada a exibição, não há renovação de temporada
independente de seu sucesso, uma série pode durar muitos anos, com casos como o
de ER (também conhecida como Plantão Médico), finalizada em abril de 2009 que
esteve por quinze anos no ar com um total de 331 capítulos, Law & Order
(Lei & Ordem), no ar desde 1990, que de tanto sucesso gerou três outras
séries: Law & Order: Special Victims Unit, Law & Order: Criminal Intent
e Law & Order: Trial by Jury.
Os personagens de uma série são sempre muito bem definidos
desde o primeiro capítulo, para que o espectador crie empatia por ele e queira
acompanhar a trajetória.
No Brasil
No Brasil, as séries foram amplamente produzidas desde a
criação da TV, até 1963, quando as telenovelas passaram a ser diárias. Exemplos
dessa fase são: Alô, Doçura, com Eva Wilma e John Herbert, maior êxito desta
fase, inspirado no americano I Love Lucy. Outros sucessos da época são
Vigilante Rodoviário na Tupi e Capitão 7 na Record.
Apesar de a Rede Globo produzir seriados como A Grande
Família, Ciranda, cirandinha e o Caso Especial, uma espécie de teleteatro, as
séries só ganhariam força com a extinção da "novela das 22h", onde,
depois da re-exibição de Gabriela, o horário foi ocupado por séries como Malu
Mulher, Carga Pesada e Plantão de Polícia. Depois desta fase, mais e mais
seriados foram produzidos, e outras emissoras também aderiram.
Outras séries brasileiras de sucesso foram Armação
Ilimitada,TV Pirata, Sai de Baixo, Os Normais, Sob Nova Direção, Toma Lá Dá Cá.
A Diarista, e a nova versão de A Grande Família. A Rede Record, todavia,
costuma se dar melhor com este formato, desde a criação do novo núcleo de
teledramaturgia em 2004, séries policiais como A Lei e o Crime, Fora de
Controle, e também de outras temáticas como a política Plano Alto, e a
dramática Conselho Tutelar garantem ótima audiência para a emissora.
Destacam-se os grandes investimentos em superproduções, como A História de
Ester Rei Davi, José do Egito, e Milagres de Jesus. Atualmente a Rede Record
figura as 6 primeiras posições na lista das obras mais caras da dramaturgia
brasileira. Outros canais, como SBT, Band, RedeTV!, TV Cultura e Canal Futura,
já produziram algumas séries esporadicamente.
Fonte: Wikipedia





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